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Alimentação dos pets: como escolher uma ração para cães e gatos?

Alimentação dos pets: como escolher uma ração para cães e gatos?
12/07/2019 admin

Garantir saúde e bem-estar aos animais de companhia requer atenção e cuidado em várias aspectos. A alimentação é um deles. Saber quais nutrientes são importantes para o desenvolvimento sadio de cachorros e gatos e escolher a ração que ofereça tudo que eles precisam é fundamental. Para ajudar os tutores nessa jornada de escolha entre tantas opções disponíveis no mercado, trazemos este artigo, produzido pela Dra. Manuela Fischer, Veterinária PhD em Nutrição Animal, com dicas valiosas sobre nutrição animal. Acompanhe a leitura.
 

Rótulo: conte-me tudo

O rótulo das rações para cães e gatos é o principal meio de comunicação entre o fabricante e o consumidor, sendo um importante componente dos alimentos, já que muitos tutores compram as marcas em função das informações nutricionais e do apelo à palatabilidade descritas no rótulo. Existem diversas marcas de rações disponíveis no mercado e todas se apresentam como completas, balanceadas e com muitos “claims”. 
O preço varia consideravelmente e as informações nutricionais também, dificultando o entendimento por parte do consumidor sobre como interpretar as informações contidas no rótulo. O (a) Médico (a) Veterinário (a) deveria saber orientar o tutor, mas o fato é que nem sempre isso acontece, já que a maioria não sabe, a partir das informações fornecidas pelo fabricante, distinguir um produto do outro, especialmente produtos do mesmo segmento. 

O que uma boa ração deve ter?

A qualidade de uma ração é determinada, principalmente, pelos seus ingredientes, pela proporção na qual eles são empregados (que é a fórmula) e pelo processamento a que são submetidos. Uma análise completa de um rótulo deve contemplar: ingredientes e níveis de garantia, expressos em g ou mg/kg. Importante ressaltar que, diferente do que acontece nos rótulos de alimentos para humanos, nos rótulos de alimentos para animais, a lista de ingredientes não é declarada na ordem decrescente de inclusão, assim, o primeiro ingrediente listado não é, obrigatoriamente, o que está em maior quantidade na fórmula.  

Quais informações os consumidores podem obter a partir dos ingredientes?

 

Proteína para cães e gatos

 

Proteína: a mais vista 

Grande parte dos consumidores olha unicamente para os níveis de garantia do rótulo e, na maioria das vezes, procura pelo teor de proteína, buscando valores elevados. No entanto, não adianta uma ração conter níveis altos de proteína se ela for de má qualidade. Sendo assim, deve-se olhar também quais são as fontes protéicas. Quando falamos em qualidade de ingredientes estamos falando de composição nutricional, digestibilidade e palatabilidade. 
As proteínas de origem animal, por exemplo, são palatáveis, de boa digestibilidade e ricas em aminoácidos essenciais, aqueles que devem vir da dieta. Muitos tutores consideram os subprodutos de origem animal como sendo de má qualidade, mas muitos não são e possuem um bom valor nutricional. Além disso, há processamentos adequados disponíveis que possibilitam a transformação dos mesmos em ingredientes de alta qualidade e digestibilidade para a formulação de ração animal
No entanto, alguns produtos como a farinha de carne e a farinha de carne e ossos – fontes protéicas mais utilizadas pela indústria – apresentam uma elevada quantidade de matéria mineral proveniente dos ossos. Esta matéria mineral é muito rica em cálcio e fósforo, ocorrendo um excesso destes nutrientes acima do desejável na ração. Daí a importância da qualidade da matéria-prima, da seleção dos fornecedores pela empresa fabricante e da proporção na qual os ingredientes são adicionados na composição de um alimento industrializado. 
Uma forma interessante de reduzir a matéria mineral sem, necessariamente, reduzir o teor de proteínas é associar fonte animal com fonte vegetal. As fontes protéicas de origem vegetal, como glúten de milho 60 (60% de proteína) e o farelo de soja, contêm baixa quantidade de minerais e têm boa digestibilidade. A única limitação é que são escassas em alguns aminoácidos essenciais. 
Ao misturar diferentes proteínas, aumenta-se o valor biológico da dieta. Algumas rações contêm, além de várias fontes protéicas, também a inclusão de aminoácidos sintéticos. As mais caras, que são empregadas em produtos chamados “superpremium”, são a carne mecanicamente separada de aves, ovo em pó, proteína isolada de suíno, farinha de vísceras e farinhas de carne de frango, cordeiro, salmão, etc… Portanto, além de olhar os níveis de proteína no rótulo, deve-se olhar também a matéria mineral (que quanto mais baixa, melhor), quais são e quantas são as fontes protéicas.

Os carboidratos na ração

Ao analisar as fontes de carboidratos, devemos procurar pelos que fornecem mais energia e os que fornecem menos energia. Arroz, milho e sorgo são ingredientes energéticos e, se bem moídos e bem cozidos, apresentam boa digestibilidade para cães e gatos. Ingredientes mais baratos como o farelo de trigo, farelo de arroz e gérmen de milho contribuem menos com energia e podem ter excesso de fibra e, com isso, prejudicar a digestibilidade do alimento, aumentar a produção de fezes e até mesmo resultar em desnutrição. 
Mesmo a fibra sendo importante para cães e gatos, ela não deve ser empregada em excesso, principalmente em dietas econômicas em que os níveis de proteína e gordura já são baixos e qualquer prejuízo na digestibilidade destes nutrientes pode provocar danos à saúde do animal. Já para animais obesos, a fibra deve ser bem elevada (ideal acima de 12%), mas aí a qualidade dos ingredientes deve ser alta, os níveis de proteína elevados e a energia metabolizável baixa para permitir um alto consumo de alimento e promover saciedade. 
 

Proteína para cães e gatos

 

Gordura é sinal de qualidade 

No caso da gordura, o indicador de qualidade da ração está mais relacionado à quantidade e não tanto à qualidade. Isso porque não há muita diferença em relação às fontes de gordura, sendo a principal a sua origem, animal ou vegetal. As duas fontes fornecem os ácidos graxos da série 6 (ômega 6), que são essenciais e, portanto, devem vir na dieta. A maioria das rações utiliza ambas as gorduras em suas fórmulas e são ingredientes que encarecem o produto, outras utilizam somente fonte de gordura animal. Estas são mais palatáveis para cães e gatos, sendo as mais utilizadas o óleo de aves e a gordura bovina; como fonte vegetal o óleo de soja é a gordura mais empregada. 
Rações de baixa qualidade contêm níveis bem próximos aos mínimos recomendados, enquanto as superiores contêm níveis mais elevados, que contribuem para o aumento da energia metabolizável do alimento. A gordura é o nutriente que mais fornece energia do alimento, sendo mais do que o dobro quando comparado à proteína e ao carboidrato. Quanto mais calórica for a ração, menor será o volume de alimento necessário para atingir o requerimento energético diário. 
Portanto, a gordura deve estar presente em todas as rações para cães e gatos em quantidades moderadas. Rações com baixa gordura geralmente são de baixa qualidade. Apenas nas rações “light”, para animais castrados ou para perda de peso é que sua redução é justificada. Com relação ao ômega 3, a gordura presente no óleo de peixe é a mais adequada, por ser rica em EPA e DHA, ácidos graxos essenciais para filhotes mas sem definição de requerimento mínimo para adultos, sendo considerada um “plus” nas rações desta categoria. 
 
Dra. Manuela Fischer
 
Este artigo foi produzido pela Dra. Manuela Fischer, Veterinária PhD em Nutrição Animal, e parceira do Psicologia Animal. Você pode encontrá-la no @manuelavetnutri e em seu site
 
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6 Comentários

  1. Lucas Abreu Pereira 2 anos atrás

    Olá, gostaria de tirar uma dúvida com vocês. Qual dessas duas tabela de ingredientes de ração é melhor?
    Tabela 1 : Glúten de milho 60*, proteína isolada de suíno, ovo integral em pó, arroz quebrado, milho moído*, farinha de vísceras de aves, farinha de peixes, óleo de peixe refinado, óleo de frango, hidrolisado de frango, cloreto de sódio (sal comum), extrato de levedura, levedura de cervejaria, mix de 8 vegetais desidratados (batata doce, beterraba, ceneura, ervilha, salsa, espinafre, abóbora e salsão), semente de linhaça, aveia em grãos, extrato de yucca.
    Tabela 2: arinha de Vísceras de Aves, Farinha de Peixe Salmão, Farinha de Carne e Ossos, Farinha de Torresmo, Ovo em Pó, Hidrolisado de Fígado Ave e Suíno, Arroz Quebrado, Farinha de Trigo, Semente da Linhaça, Polpa de Beterraba, Levedura Seca de Cervejaria, Fibra de Ervilha, Gordura de Frango, Cloreto de Sódio (Sal Comum), Sulfato de Glicosamina, Sulfato de Condroitina, Extrato de Yucca (0.03%)

  2. Thallyta 2 anos atrás

    Muito bom excelente conteúdo

    • Psicologia Animal 2 anos atrás

      Ficamos satisfeitos com sua mensagem. Nosso objetivo é sempre oferecer conteúdo com qualidade.
      EQUIPE INSPA

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