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Como perceber e tratar a Disfunção Cognitiva em cães idosos?

Como perceber e tratar a Disfunção Cognitiva em cães idosos?
05/05/2019 danilofonsecaa

Os companheiros de quatro patas também envelhecem. É um fato e não há como ignorar que, assim como os humanos, nessa fase da vida, eles também vão precisar de  um olhar mais atento e de cuidados específicos. Assim como a doença de Alzheimer pode acometer humanos idosos, alguns cães mais velhinhos podem padecer da chamada Disfunção Cognitiva Canina (DCC).
O mal pode levar à alterações de comportamento secundárias à função mental diminuída. Estas mudanças podem passar despercebidas por muito tempo. Por isso, a presença do tutor, sua observação diária e o acompanhamento profissional da saúde do cão podem ser decisivos. Para ajudar a esclarecer dúvidas sobre como lidar e tratar a Disfunção Cognitiva Canina, preparamos este artigo. Acompanhe a leitura e ofereça mais bem-estar ao seu animal de companhia.
 
observe as mudanças no comportamento

Como observar as alterações cognitivas?

O diagnóstico da DCC não conta, até o momento, com testes disponíveis. Então, são de grande importância as observações do tutor e o histórico do animal. O acompanhando geriátrico por um (a) Médico (a) Veterinário (a) deve ser iniciado por volta dos 7 anos de idade para que um perfil de comportamento seja traçado. Com ele, é possível identificar de forma precoce as alterações cognitivas. As mudanças comportamentais que podem afetar os cães idosos são: redução da atividade física, distúrbios do sono, mudanças no apetite, micção inapropriada, agressividade, diminuição da interação social, desorientação, esquecimento de comandos básicos anteriormente conhecidos, vocalização sem razão aparente, entre outras.

Como tratar a Disfunção Cognitiva Canina?

Não há cura para a doença, mas há caminhos e soluções que podem ajudar a desacelerar o processo de evolução da disfunção cognitiva nos cães. Alguns medicamentos, aliados à mudanças de comportamento, manejo ambiental e alteração na dieta estão entre as possibilidades. Vamos citar abaixo o que pode ser feito para auxiliar seu velho companheiro:

1. Comprometimento do tutor

No tratamento da Disfunção Cognitiva Canina (DCC), o tutor é parte fundamental e sua educação e o seu comprometimento são imprescindíveis para o sucesso da empreitada. Como já citado, mudanças no comportamento do cão devem ser notadas pelos tutores e o animal deve ser encaminhado para seu (sua) Médico (a) Veterinário (a) para avaliação e encaminhamento específicos.

2. Estímulo mental e treinamento positivo

Quando o animal começa a apresentar sinais de disfunção cognitiva, algumas técnicas de treinamento positivo sem punição devem ser implementadas. É possível re-treinar cães idosos mesmo com a capacidade cognitiva diminuída. A estimulação mental é de suma importância na manutenção da acuidade cerebral, então, mantenha o cérebro do cão ocupado com novos brinquedos, atividades novas e socialização. Na hora dos comandos, use sinais claros e óbvios e não crie muitos comandos novos. Procure utilizar os comandos básicos, e para aqueles que já possuem déficit auditivo, um assovio é mais do que necessário para alertar o animal.

3. Mudanças na ambientação da casa

Quando há um cão idoso em casa, ajustes precisam ser feitos para seu melhor convívio. A re-ambientação da casa ajuda muito. Por exemplo, o tutor pode mover a mobília de lugar (deixar mais espaço livre, no caso de animais com déficit visual), levar o cão para fora com mais frequência para urinar e defecar, deixar uma meia luz acesa à noite para que o animal se oriente pela casa, colocar tapetes pela casa para facilitar a locomoção daqueles com artrites. São muitas as possibilidades e adequações que podem ser feitas para acomodar e oferecer mais bem-estar e segurança para animal e tutor. É uma questão de cuidado e de responsabilidade.

4. Suplementação na dieta

A atenção com a alimentação integra o tratamento da Disfunção Cognitiva Canina (DCC). A dieta deve ser rica em antioxidantes e há rações específicas no mercado. A S-adenosilmetionina (SAMe), um metabólito endógeno essencial, tem se mostrado de grande auxílio por seus efeitos antioxidantes, que melhoram a plasticidade neuronal e a renovação de certos neurotransmissores.

Uso de medicamentos na Disfunção Cognitiva Canina (DCC)

A terapia com psicofármacos no tratamento da Disfunção Cognitiva Canina é variada e tem finalidades como: melhorar a circulação no cérebro por ação vasodilatadora (propentofilina, nicergolina), efeito antioxidante (selegelina, propentofilina e nicergolina), incrementar a função de neurotransmissores (selegelina e clomipramina) e ter efeito neuroprotetor ( selegelina e propentofilina).
Na medicina humana, muitos medicamentos têm sido desenvolvidos para o tratamento de Alzheimer. Atualmente, nos EUA, somente o Selegiline (L-deprenil) está aprovado pelo FDA (US Food & Drug Administration), especificamente para cães, apesar de ser usado em gatos com sucesso. L-deprenil é um inibidor irreversível da monoamina-oxidase (MAO). As duas principais monoamina-oxidases são a MAO-A e MAO-B. Ambas, porém principalmente a B, catabolizam a desaminação oxidativa de várias catecolaminas, particularmente, dopamina, norepinefrina, epinefrina, beta-feniletilamina e serotonina. As duas monoamina-oxidase (MAO), mas principalmente a MAO-A, também catabolizam aminas exógenas que derivam de vários alimentos e fármacos, resultando em um efeito significativo no trato digestório e no fígado de animais mais velhos.
Mas, atenção, nenhuma medicação deve ser usada sem indicação de um (a) Médico (a) Veterinário (a). Cada caso deve ser avaliado individualmente e cada cão deve passar por exame físico e análises complementares.
Você tem um cão idoso em casa? As informações compartilhadas aqui foram úteis? Então, compartilhe em suas redes! Sejamos, juntos, promotores de saúde e bem-estar dos animais de companhia. Para mais dicas e informações, acesse o blog do Psicologia Animal.
 

6 Comentários

  1. sandra voss 2 anos atrás

    o meu cão toma Gabapentina e Jumexil mas não esta mais fazendo efeito, não dorme e nem nós fica andando e latindo até qdo finalmente deita

    • Sandra,
      Ele necessita ser reavaliado pelo veterinário para tentar restabelecer horários de sono. Esta alteração ocorre na disfunção cognitiva com frequência.
      Faça uma nova consulta.
      Atenciosamente,
      EQUIPE INSPA

  2. Roberta Stelet Craveiro Martins 2 anos atrás

    Boa tarde, tenho um yorkshire de 16 anos. Ele está cego e tem problemas de audição, de um ano pra cá está totalmente desorientado.
    Já levei no veterinário no neurologista, tentamos medicação porém ele não melhorou em nada pelo contrário teve problemas estomacais. Atualmente ele não está tomando nenhuma medicação porém o que mais temos tido problemas com ele é trocar a anoite pelo dia. Tenho sentido a família adoecida pois tenho que revezar as noites com meu marido para podermos descansar.
    Gostaria de saber se existe algum medicamento que ele possa tomar para dormir a noite. Durante o dia ficamos bem, mesmo com todo trabalho que ele vem dando (urinar e ficar todo molhado, andar sem parar, chorar o tempo todo,…) mas a noite tem sido muito cansativo.
    Se puderem me orientar serei muito grata!

    • Psicologia Animal 2 anos atrás

      Roberta,
      É compreensível, a família necessita descansar para poder lidar melhor com as demandas de um idoso em casa. Qual a cidade e estado que você reside?
      EQUIPE INSPA

  3. Sonia 2 anos atrás

    Foi muito útil pois meu cão está totalmente desorientada e fica olhando pra parede ela tem insuficiência renal tb talvez seja isso que aumenta as crises!

    • Psicologia Animal 2 anos atrás

      Sonia,
      Ficamos satisfeitos em informar com qualidade sobre o comportamento e bem-estar animal. Sem pre que há comorbidades (mais de uma doença ao mesmo tempo), há possibilidade de ser agravante.
      Equipe Insta

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