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Família multiespécie é tendência mundial

Família multiespécie é tendência mundial
20/10/2018 danilofonsecaa

Novo modelo de família inclui, além dos pais e filhos, os animais de estimação, especialmente os cães
Tendência crescente no resto do mundo, também verifica-se no Brasil. Cerca de 60% dos lares brasileiros têm como
moradores pessoas e animais de companhia, especialmente cães. Não é à toa que estudiosos reveem o conceito de família. Se, antes, o principal critério eram os laços de sangue, formando o modelo tradicional de pai, mãe e filhos, hoje, são os laços afetivos que unem pais, filhos e pets.
A presidente da Associação Médico-Veterinária Brasileira de BemEstar Animal, Ceres Berger Faraco, também doutora em Psicologia, afirma que é impossível pensar em família atualmente sem considerar a interação humano animal. É a chamada família multiespécie.
Ceres Faraco aponta a Antrozoologia, nova área do conhecimento que estuda as interações entre seres humanos e animais, para explicar esta tendência mundial. Ela diz que nos estudos da Antrozoologia são apresentadas diferentes teorias para os laços cada vez mais fortes entre pessoas e bichos.
Estre as explicações científicas, está a Teoria da Biofilia, definida por Edward Wilson, da Universidade de Harvard. Seguindo a linha evolutiva para examinar o tema, o pesquisador observa que os humanos aprenderam a avaliar o ambiente a partir da presença de outras espécies. “Quando os animais criados em casa estão tranquilos, significa que todo o ambiente está tranquilo”, declara Ceres, considerando os dias atuais, quando os bichos continuam sendo indicadores da situação do ambiente, assim como era nos agrupamentos pré-históricos da humanidade.
Outra linha de avaliação que pode explicar a crescente formação da família multiespécie, segundo Ceres Faraco, está na Teoria do Apego, desenvolvida a partir das pesquisas em Etologia, área que estuda o comportamento animal. De acordo com o fundador da Etologia, Konrad Lorenz, na relação intra e interespécies acontece o fenômeno do “impriting”. Observou-se que fica “impresso” no cérebro do ser vivo aquele outro visto pela primeira vez na hora do nascimento ou fase de sensibilização. No estudo com gansos, foi verificado o fenômeno. Assim quando o ovo eclodia, o filhote “adotava” como mãe o primeiro ser visto, fosse outro ganso ou um ser humano.
Com bases etológicas e psicanalíticas, John Bowlby desenvolveu a Teoria do Apego, pela qual os seres precisam ter alguém de referência para crescer e se desenvolver. Transportando a explicação para a relação mãe/bebê, isto é evidente. Também é realidade, comprovada cientificamente, no relacionamento entre seres humanos e animais. “É preciso ter uma figura de apego para nos desenvolvermos. Assim também é com os animais. Podemos observar este apego deles em relação aos seres humanos e destes em relação aos bichos”, explica Ceres.
Meios de cooperação
A médica veterinária traz também outra explicação. Fala-se muito em competição entre as espécies na natureza, como se só existisse uma verdadeira guerra entre os bichos no ambiente natural. Na realidade, conforme os ciclos de cada espécie, o que há é a procura por alimento. Porém, pela nova Biologia, o que mais predomina são as relações de cooperação.
Ceres aponta que a crescente associação entre seres humanos e animais dá-se como estratégia para enfrentar os desafios da sobrevivência. “Humanos e animais de companhia são seres gregários”, diz ela, complementando que ambos gostam de estar em companhia um do outro, além de que os bichos oferecem suporte para a sobrevivência das sociedades. “No mundo atual, onde são incentivados o individualismo, a perda de laços familiares e a solidão, a presença dos animais serve como apoio social, fortalece o sentimento de que somos pertencentes, amados, e absolutamente necessários para alguém”, avalia a médica veterinária. Ela observa que, nos lares com pets, há uma troca de afetividade permanente, uma vez que os animais são claramente verdadeiros na expressão de seus sentimentos. “Enquanto os humanos podem dissimular sentimentos, os animais, especialmente os cães, são claros na manifestação de seu amor incondicional”.
Ela apresenta ainda os pesquisadores Beck & Katcher, que estudam os benefícios da interação com bichos. Segundo eles, a convivência com os animais é fundamental para a construção da personalidade, com influência direta no desenvolvimento infantil.
Ceres Faraco é professora do Curso de Psicologia nas Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) e
ainda coordena o grupo de pesquisa Interha, que realiza estudos sobre a interação humano-animal.

2 Comentários

  1. Mariana Priario 3 anos atrás

    Texto muito legal! Pena que não tem autor assinando. Daria mais credibilidade ao texto…..

  2. Cidinha Souza Pinto 3 anos atrás

    Minha familia há anos é de Peludinhos Quatro Patitas. Felinos. Adotados. Já foram mais de 20.Atualmente são 10 entre os mais velhos e os bebês que nasceram aqui. Tenho espaço suficiente porque é uma chácara. Amor por eles

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