Você tem alguma dúvida? contato@psicologiaanimal.com.br

Os cães são hiperativos ou muito ativos?

Os cães são hiperativos ou muito ativos?
16/02/2017 admin

Cães cheios de energia e disposição são muito comuns e o nível de atividade de cada um vai depender de fatores como idade (filhotes, assim como as crianças, são mais ativos), raça (há raças com mais “energia física” do que outras – Border collie e Shi-tzu) e educação (experiências de vida e manejo dos tutores). O que ocorre é que esses comportamentos, geralmente, são percebidos como problemáticos ou indesejados pelas pessoas. Podem ser inadequados, no entanto, por falta de limites e direcionados para objetos ou situações que desagradam a família (como no carro, em passeios, com as pessoas da casa, etc). Como as pessoas estão acostumadas ao termo hiperatividade, relacionado às crianças, acabam por, frequentemente, descrever os cães e gatos com este mesmo rótulo. Para compreender o comportamento animal e entender as diferenças entre hiperatividade e muito ativo, preparamos este artigo. 
Acompanhe a leitura!

Cães podem ser hiperativos? 

A maioria dos cachorros é apenas muito agitada e super motivada, pois a “hiperatividade”, como doença, é menos comum nos pets do que em pessoas. A hiperatividade se caracteriza por comportamentos anormais e de origem neurofisiológica, endócrina e até com causas hepáticas, que necessitam ser avaliados por um Médico Veterinário, especialista em Etologia Clínica, em conjunto com as pessoas da família para esclarecer a natureza desses problemas.

O que diferencia o animal muito agitado do hiperativo?

Agitado:

  1. Consegue dormir e relaxar;
  2. Não fica ofegante ou com o coração acelerado quando está em descanso;
  3. Reage adequadamente em diferentes situações;
  4. Consegue ter momentos de atenção com as pessoas;
  5. Maior atividade, geralmente, associada com estímulos ou eventos e monotonia.

Hiperativo:

  1. Não consegue relaxar nunca, parece que está sempre em movimento de alerta;
  2. Respiração e batimentos cardíacos são iguais em movimento ou em repouso;
  3. Volta de exercícios como se nada tivesse acontecido, parece que nunca se cansa;
  4. Não foca atenção em algo ou em pessoas;
  5. Comportamento independe das pessoas e do ambiente (vive num mundo acelerado e particular, sem estímulo aparente);
  6. São atividades solitárias pois ele (e sua doença) já são estímulo suficiente.

Mitos relacionados à hiperatividade em cães

  • é comum que as pessoas acreditem que o cão seja agitado por ser ainda jovem e que um dia vai se acalmar. 
  • com cães machos, existe um mito de que o cão precisa cruzar para se acalmar. Não adianta procurar parceiro sexual para acalmar seu cão.

O que fazer com o cão muito agitado?

Eles parecem movidos a baterias que nunca acabam. Cadê o botão de desligar? Os tutores se perguntam. Muitos cães sofrem por excesso de energia e pela falta de exercício e de controle por parte do tutor sobre a sinalização de quando iniciar e terminar suas atividades. 
Cães com pouco estímulo ambiental na maior parte do dia têm duas alternativas: ficarem desanimados e quietinhos ou buscarem oportunidades para se ocupar. Como são criativos, encontram saídas para a sua energia ao rasgar tecidos, mastigar coisas, puxar, cavar, roer móveis ou sapatos, latir, arranhar e destruir. Podem fazer tudo isso na busca desesperada de atenção e canalização da energia. 
Algumas estratégias que podem auxiliar no manejo destes casos são:

  1. TREINE o cão para adquirir a capacidade de espera com tranquilidade.
  2. OFEREÇA muitas atividades físicas para o gasto de energia e enriquecimento da rotina diária (intensifique/prolongue tempo de passeio).
  3. MOSTRE que algumas atividades diárias do cão devem ser solitárias para que ele não fique totalmente dependente da interação com pessoas para aliviar sua monotonia.
  4. ESPERE. Lembre que, como as crianças, os filhotes, principalmente, ficam mal humorados e irritados quando estão cansados, por isso, precisam de um lugar tranquilo para descansar após exercícios. Espere esse tempo.
  5. REFORÇE a recompensa alimentar com atividades e exercícios prévios, antes do almoço ou jantar: são desejáveis e motivadoras para o aprendizado e controle do comportamento canino.
  6. USE brinquedos dispensadores de alimentos, pois contribuem para fazer exercício, enriquecem a rotina e reduzem a frustração causada pelo tédio.
  7. SEJA CLARO nas brincadeiras, ao dar sinais consistentes e em todas as ocasiões em que a atividade inicia e termina.
  8. DÊ  ao seu cão um brinquedo para que morda enquanto você faz carinho: morder objetos ajuda muitas vezes a dissipar energia, mas direcionando para objetos corretos e permitidos pelo tutor.

Se houver suspeita da doença de hiperatividade, busque uma avaliação veterinária para diagnóstico e tratamento o mais breve possível.
Este artigo foi produzido pela diretora acadêmica e científica do Psicologia Animal, Ceres Faraco. Acesse nosso blog e tenha mais informações sobre comportamento, saúde e bem-estar animal.

0 Comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Abrir chat
Precisa de ajuda?
Olá!
Como podemos te ajudar?